Informações sobre o sono e descanso

Dormimos menos, mas melhor

É um facto que tem levado a cadeia evolutiva a que os seres humanos precisem dormir menos horas, porque as demandas diárias que temos são maiores. Trabalho, família, as responsabilidades, lazer… Mas o mais curioso disto tudo é que, embora durmamos menos horas, o sonho que temos é melhor e mais eficiente.

Baseamo-nos num estudo pela Duke University, capitaneada pelo médico da equipe David Samson, onde foi analisado o padrão de sono de centenas de mamíferos. Os sujeitos a estudo, incluindo 21 espécies de primatas e também humanos, foram catalogados pela sua posição na árvore de família de acordo com seu padrão de sono individual. Depois foi extraído em conclusão que em comparação com nossos parentes mais próximos do reino animal, nosso sonho, é mais escasso, mais de melhor qualidade.

Vamos ver a razão para isso: nossas horas de sono são uma média de sete horas por noite, dependendo da média estudada. As de outras espécies de primatas subem para um total de 14 a 17 horas. Como por exemplo, nossos parentes evolutivos mais próximos: os chimpanzés que passam a dormir nada mais e nada menos que umas 11 horas por dia.

Para chegar a esta conclusão se analisam as fases REM (ciclo em que ocorrem os sonhos). Quando em nossa espécie leva quase o 25% de todo o ciclo nocturno, em outras espécies não chega a um escasso 5%, precissando de mais horas de sono para obter o mesmo descanso que nós.

O fato de que nosso descanso seja menor, mas de melhor qualidade não tem nada a ver com a chegada da luz artificial e a tecnologia, asseguram Sansão e Charlie Nunn (antropólogos da Universidade de Duke). A principal razão é pelo salto que sofremos de dormir em árvores a dormir no chão, junto com outras pessoas e a uma temperatura mais elevada pela proximidade do fogo ou o calor do corpo de outros dormentes… Isto fez com que o sonho fosse mais profundo, por estar mais tranquilos e com maior sensação de proteção.

Este salto e mudança em nosso estilo de sonho ajudaram para que nas horas que já não eram dedicadas a dormir, se pudessem aprender novas habilidades, aumentar laços sociais, ficar com a família… Também aumentou o poder do cérebro e melhorou a capacidade de memória.

Todos sabem que um bom descanso ajuda o nosso corpo e nossa mente para trabalhar mais eficazmente.

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A falta de sono e Alzheimer

Um recente estudo demonstrou que a falta de sono está conectada com maiores níveis de uma proteína chamada beta-amiloide, conhecida pela sua relação com Alzheimer.

Para realizar o estudo, reuniram-se 20 participantes para que dormissem uma noite no Instituto Nacional de Saúde de Maryland (E.E.U.U.). Depois de uma noite de sono, foram submetidos a um scanner com o qual monitorizaram os níveis de proteínas no cérebro. Aproximadamente duas semanas depois, cada um dos participantes voltou a passar outra noite no centro. No entanto, desta vez foram despertados a cada hora, não sendo permitidos dormir profundamente. Depois de mais de 30 horas onde foram obrigados a manter-se acordados voltou-se a repetir o mesmo scanner cerebral.

Os resultados foram evidentes. Dezanove dos vinte participantes, com idades variantes desde os 22 aos 72 anos, mostraram níveis de beta-amiloides muito superiores depois de uma noite de não poder dormir corretamente. Ainda que estes níveis não eram preocupantes para o surgimento do Alzheimer, o estudo sugere uma conexão provável entre os hábitos de sono e o surgimento posterior desta doença.

Em parte, o Alzheimer diagnostica-se detetando grandes placas de beta-amiloide realizando estes mesmos scanner. Não obstante, ainda não se pode esclarecer qual é o motivo que cria o surgimento desta proteína.

Todas as pessoas produzem pequenas quantidades de beta-amiloide nos cérebros como parte do processo de generação de outras proteínas. No entanto, o próprio cérebro acaba por limpar esta proteína. Os investigadores não puderam detetar ainda se os maiores níveis de beta-amiloide se devem a que a falta de sono detém ou afeta o processo de limpeza do cérebro ou se esta se produz em quantidades maiores ao estar tantas horas acordado.

O que este estudo, igual a muitos outros, sim sugere é que a falta do descanso devido afeta o funcionamento correto do nosso cérebro.

Imagine voar na comodidade de uma cama

O fabricante europeu de aviões Airbus anunciou que estuda criar zonas de descanso com camas no andar inferior dos seus novos modelos.

Airbus trabalha com o fabricante de assentos Zodiac Aerospace no design de camas para serem instaladas nos porões dos aviões. A ideia é que o novo modelo Airbus A330, cujo lanzamento está previsto para 2020, incorpore camas para que os passageiros possam relaxar e dormir esticados durante os trajetos mais largos.

No momento trata-se unicamente de um projeto. Os fabricantes de aviões estudam constantemente como poder oferecer inovações que os diferenciem da competição. Tetos transparentes, zonas de jogos infantis, ginásio, bares… No entanto, a execução nem sempre é infalível.

Um dos pontos principais é a segurança. Durante certas fases dos voos, como levantar voo, aterragens ou momentos de turbulências os passageiros devem estar sentados com o assento reto, pelo que com o uso da cama se vê complicado. De igual forma, a zona dos assentos são sempre superiores no avião, pelo que a localização das camas no porão também levanta dúvidas sobre a segurança em relação à capacidade para evacuar os passageiros ante uma emergência.

As aerolínhas incorporaram alternativas multiplas para que esteja entretido durante os voos transoceanicos. Música, jogos, filmes… Não obstante, não há melhor maneira de estar oito horas num avião que passando pelas brasas.