Informações sobre o sono e descanso

Silêncio não é apenas descanso para audição. Também faz bem ao cérebro

No acelerado mundo atual, nem sempre é fácil ter alguns momentos de silêncio. Quem se ressente é o nosso cérebro.

Hoje em dia é difícil estar em locais públicos e ter momentos de silêncio. Seja a poluição sonora das grandes cidades ou o passeio por um centro comercial, onde qualquer loja nos dá, literalmente, música para os nossos ouvidos, o nosso cérebro não permanece imune a nada disto. E uma lista compilada pelo Huffington Post lembra-nos que há benefícios para a nossa saúde que não devem ser esquecidos.

Um estudo de 2004, de Craig Zimring, defende que o silêncio pode ajudar a aliviar a tensão e o stress. A este, junta-se um outro trabalho, de 2006, divulgado na publicação Heart, que realça que dois minutos de silêncio podem ter um efeito mais relaxante do que… a própria música relaxante.

O silêncio pode também ser uma forma de aumentar os nossos recursos mentais. Passamos a explicar: o córtex pré-frontal, parte da nossa ‘massa cinzenta’ que influi na tomada de decisões complexas, pode ser sobrecarregado num dia difícil no escritório ou quando há uma decisão difícil para tomar na nossa vida.

O silêncio pode ser visto como uma forma de dar descanso a esta parte do nosso cérebro, permitindo-lhe maior foco quando a sua atenção voltar a ser exigida.

Da mesma maneira, a ausência de ruído permite a regeneração de células cerebrais. Um estudo recente que o mesmo Huffington Post recorda, de 2013, em ‘ratinhos’ – e que foi originalmente divulgado na publicação Brain, Structure, and Function – defende isso mesmo.

Por último, acrescentemos que o silêncio é visto por alguns especialistas como ‘chave’ para a autoconsciência.

Momentos de meditação ou em que sonhamos acordados, por exemplo, ajudam a estimular as funções do cérebro que nos permitem pensar nas nossas experiências de vida. É deste modo que se trabalham também conceitos como empatia, mas também a criatividade, por exemplo.

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A falta de sono e Alzheimer

Um recente estudo demonstrou que a falta de sono está conectada com maiores níveis de uma proteína chamada beta-amiloide, conhecida pela sua relação com Alzheimer.

Para realizar o estudo, reuniram-se 20 participantes para que dormissem uma noite no Instituto Nacional de Saúde de Maryland (E.E.U.U.). Depois de uma noite de sono, foram submetidos a um scanner com o qual monitorizaram os níveis de proteínas no cérebro. Aproximadamente duas semanas depois, cada um dos participantes voltou a passar outra noite no centro. No entanto, desta vez foram despertados a cada hora, não sendo permitidos dormir profundamente. Depois de mais de 30 horas onde foram obrigados a manter-se acordados voltou-se a repetir o mesmo scanner cerebral.

Os resultados foram evidentes. Dezanove dos vinte participantes, com idades variantes desde os 22 aos 72 anos, mostraram níveis de beta-amiloides muito superiores depois de uma noite de não poder dormir corretamente. Ainda que estes níveis não eram preocupantes para o surgimento do Alzheimer, o estudo sugere uma conexão provável entre os hábitos de sono e o surgimento posterior desta doença.

Em parte, o Alzheimer diagnostica-se detetando grandes placas de beta-amiloide realizando estes mesmos scanner. Não obstante, ainda não se pode esclarecer qual é o motivo que cria o surgimento desta proteína.

Todas as pessoas produzem pequenas quantidades de beta-amiloide nos cérebros como parte do processo de generação de outras proteínas. No entanto, o próprio cérebro acaba por limpar esta proteína. Os investigadores não puderam detetar ainda se os maiores níveis de beta-amiloide se devem a que a falta de sono detém ou afeta o processo de limpeza do cérebro ou se esta se produz em quantidades maiores ao estar tantas horas acordado.

O que este estudo, igual a muitos outros, sim sugere é que a falta do descanso devido afeta o funcionamento correto do nosso cérebro.

Imagine voar na comodidade de uma cama

O fabricante europeu de aviões Airbus anunciou que estuda criar zonas de descanso com camas no andar inferior dos seus novos modelos.

Airbus trabalha com o fabricante de assentos Zodiac Aerospace no design de camas para serem instaladas nos porões dos aviões. A ideia é que o novo modelo Airbus A330, cujo lanzamento está previsto para 2020, incorpore camas para que os passageiros possam relaxar e dormir esticados durante os trajetos mais largos.

No momento trata-se unicamente de um projeto. Os fabricantes de aviões estudam constantemente como poder oferecer inovações que os diferenciem da competição. Tetos transparentes, zonas de jogos infantis, ginásio, bares… No entanto, a execução nem sempre é infalível.

Um dos pontos principais é a segurança. Durante certas fases dos voos, como levantar voo, aterragens ou momentos de turbulências os passageiros devem estar sentados com o assento reto, pelo que com o uso da cama se vê complicado. De igual forma, a zona dos assentos são sempre superiores no avião, pelo que a localização das camas no porão também levanta dúvidas sobre a segurança em relação à capacidade para evacuar os passageiros ante uma emergência.

As aerolínhas incorporaram alternativas multiplas para que esteja entretido durante os voos transoceanicos. Música, jogos, filmes… Não obstante, não há melhor maneira de estar oito horas num avião que passando pelas brasas.