Informações sobre o sono e descanso

Sonhando envelhecer

Sonhando envelhecer

É inevitável, à medida que envelhecemos, passamos menos tempo na cama. Quando temos apenas algumas semanas de vida podemos passar horas dormindo; mas conforme vamos crescendo cada vez gastamos menos tempo com Morfeo.

E é que o sono muda ao longo das nossas vidas. Passamos de dormir 16 horas diarias, com apenas alguns meses a passar 7 horas no máximo na cama.

Mas não só varia o tempo que dormirmos, mas também as horas em que o fazemos. Passamos de ir a dormir as 9 ou 10 da noite na infância, a não conseguir domir antes das 11 da noite quando somos adolescentes.

Conforme vamos envelhecendo, nossos hábitos no descanso mudam e madrugamos cada vez mais; pelo que irremediavelmente leva que tenhamos sonho antes. Portanto, não é surpreendente que passados os 30 caiamos rendidos na sexta à noite.

Mas a maior mudança que nossos corpos experimentam é que acordamos várias vezes durante a noite.

Quando somos jovens podemos chegar a dormir até o 95% da noite, à medida que vamos envelhecendo esta percentagem se reduz e aos 60 anos já só dormimos um 85% cada noite.

Como explica Ana Adan, doutora em psicobiologia da Universidade de Barcelona, nosso limite do sonho diminui; passando menos tempo na fase REM e mais em outros mais leves.

Para tentar limitar os efeitos negativos que têm estas mudanças em nossos hábitos de sono, é necessário manter uns hábitos de sono adequados. Horários regulares, não jantar nada sobre a hora de dormir e acordar mais cedo.

Tampouco devemos nos impor padrões extremos, mas sim tentar sincronizar nosso sonho com os ciclos de luz e escuridão. O tempo que precisemos passar na cama também variará de acordo ao nosso estilo de vida, portanto, não é necessário ficar obcecado sobre o número de horas que passamos na cama.

Se depois de 6 ou 7 horas acordamos mas nos sentimos descansados é que esse tempo é mais que suficiente para que o nosso organismo carregue energias.

Em última análise, assim como outros aspectos de nossas vidas, temos de adaptar nossos hábitos de sono conforme ficamos mais velhos.

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A falta de sono e Alzheimer

Um recente estudo demonstrou que a falta de sono está conectada com maiores níveis de uma proteína chamada beta-amiloide, conhecida pela sua relação com Alzheimer.

Para realizar o estudo, reuniram-se 20 participantes para que dormissem uma noite no Instituto Nacional de Saúde de Maryland (E.E.U.U.). Depois de uma noite de sono, foram submetidos a um scanner com o qual monitorizaram os níveis de proteínas no cérebro. Aproximadamente duas semanas depois, cada um dos participantes voltou a passar outra noite no centro. No entanto, desta vez foram despertados a cada hora, não sendo permitidos dormir profundamente. Depois de mais de 30 horas onde foram obrigados a manter-se acordados voltou-se a repetir o mesmo scanner cerebral.

Os resultados foram evidentes. Dezanove dos vinte participantes, com idades variantes desde os 22 aos 72 anos, mostraram níveis de beta-amiloides muito superiores depois de uma noite de não poder dormir corretamente. Ainda que estes níveis não eram preocupantes para o surgimento do Alzheimer, o estudo sugere uma conexão provável entre os hábitos de sono e o surgimento posterior desta doença.

Em parte, o Alzheimer diagnostica-se detetando grandes placas de beta-amiloide realizando estes mesmos scanner. Não obstante, ainda não se pode esclarecer qual é o motivo que cria o surgimento desta proteína.

Todas as pessoas produzem pequenas quantidades de beta-amiloide nos cérebros como parte do processo de generação de outras proteínas. No entanto, o próprio cérebro acaba por limpar esta proteína. Os investigadores não puderam detetar ainda se os maiores níveis de beta-amiloide se devem a que a falta de sono detém ou afeta o processo de limpeza do cérebro ou se esta se produz em quantidades maiores ao estar tantas horas acordado.

O que este estudo, igual a muitos outros, sim sugere é que a falta do descanso devido afeta o funcionamento correto do nosso cérebro.

Imagine voar na comodidade de uma cama

O fabricante europeu de aviões Airbus anunciou que estuda criar zonas de descanso com camas no andar inferior dos seus novos modelos.

Airbus trabalha com o fabricante de assentos Zodiac Aerospace no design de camas para serem instaladas nos porões dos aviões. A ideia é que o novo modelo Airbus A330, cujo lanzamento está previsto para 2020, incorpore camas para que os passageiros possam relaxar e dormir esticados durante os trajetos mais largos.

No momento trata-se unicamente de um projeto. Os fabricantes de aviões estudam constantemente como poder oferecer inovações que os diferenciem da competição. Tetos transparentes, zonas de jogos infantis, ginásio, bares… No entanto, a execução nem sempre é infalível.

Um dos pontos principais é a segurança. Durante certas fases dos voos, como levantar voo, aterragens ou momentos de turbulências os passageiros devem estar sentados com o assento reto, pelo que com o uso da cama se vê complicado. De igual forma, a zona dos assentos são sempre superiores no avião, pelo que a localização das camas no porão também levanta dúvidas sobre a segurança em relação à capacidade para evacuar os passageiros ante uma emergência.

As aerolínhas incorporaram alternativas multiplas para que esteja entretido durante os voos transoceanicos. Música, jogos, filmes… Não obstante, não há melhor maneira de estar oito horas num avião que passando pelas brasas.