Informações sobre o sono e descanso

São realmente úteis as aplicações para medir o sono?

Nos últimos anos, as aplicações para telemóveis y smartwatch proliferaram para medir diferentes aspectos da vida cotidiana, como pulsações ou o número de passos que tomamos. A informação recompliada por este tipo de aplicações é muito interessante para medir o nosso desempenho quando realizamos atividades físicas. Recentemente, também foram desenvolvidas aplicações que aproveitam esta possibilidade para medir os nossos movimentos, para proporcionar informações sobre como dormimos. Mas a informação que nos fornece é útil?

Dormir adequadamente é um dos fatores mais determinantes para a nossa saúde e bem-estar. Há uma grande quantidade de estudos que associam benefícios múltiplos a um bom descanso, como melhor desempenho físico e mental ou menor risco de obesidade ou ataques cardíacos. Portanto, é lógico pensar que essas aplicações fornecem informações relevantes que melhorarão o nosso bem-estar. Mas essas aplicações são realmente capazes de medir o nosso sono?

Estas apps providenciam informações que podem ser úteis, no entanto, não são realmente capazes de medir a qualidade do sono. Para isso seria necessário um laboratório real. O que essas aplicações fazem é medir o movimento, informações que podem ser relevantes, pois quando você dorme, tende a permanecer quieto. Na verdade, durante o sono, há fases em que você mesmo passa por momentos de paralisia temporária.

Portanto, as aplicações para medir o movimento durante o sono já eram usadas por profissionais antes de se tornarem populares. As informações que fornecem podem ser interessantes para saber quanto tempo demora em adormecer. Analisando os dados durante um período de tempo, você pode obter resultados de como, por exemplo, trabalhadores por turnos ou pessoas que viajam muito e mudam constantemente os fusos horários para adaptar-se a diferentes horários de descanso. Consultar estas aplicações isoladamente para ver como dormiu a noite passada não teria um uso real. O cansado ou ativo que se sentir durante o dia continua a ser o indicador mais efetivo do seu descanso.

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A falta de sono e Alzheimer

Um recente estudo demonstrou que a falta de sono está conectada com maiores níveis de uma proteína chamada beta-amiloide, conhecida pela sua relação com Alzheimer.

Para realizar o estudo, reuniram-se 20 participantes para que dormissem uma noite no Instituto Nacional de Saúde de Maryland (E.E.U.U.). Depois de uma noite de sono, foram submetidos a um scanner com o qual monitorizaram os níveis de proteínas no cérebro. Aproximadamente duas semanas depois, cada um dos participantes voltou a passar outra noite no centro. No entanto, desta vez foram despertados a cada hora, não sendo permitidos dormir profundamente. Depois de mais de 30 horas onde foram obrigados a manter-se acordados voltou-se a repetir o mesmo scanner cerebral.

Os resultados foram evidentes. Dezanove dos vinte participantes, com idades variantes desde os 22 aos 72 anos, mostraram níveis de beta-amiloides muito superiores depois de uma noite de não poder dormir corretamente. Ainda que estes níveis não eram preocupantes para o surgimento do Alzheimer, o estudo sugere uma conexão provável entre os hábitos de sono e o surgimento posterior desta doença.

Em parte, o Alzheimer diagnostica-se detetando grandes placas de beta-amiloide realizando estes mesmos scanner. Não obstante, ainda não se pode esclarecer qual é o motivo que cria o surgimento desta proteína.

Todas as pessoas produzem pequenas quantidades de beta-amiloide nos cérebros como parte do processo de generação de outras proteínas. No entanto, o próprio cérebro acaba por limpar esta proteína. Os investigadores não puderam detetar ainda se os maiores níveis de beta-amiloide se devem a que a falta de sono detém ou afeta o processo de limpeza do cérebro ou se esta se produz em quantidades maiores ao estar tantas horas acordado.

O que este estudo, igual a muitos outros, sim sugere é que a falta do descanso devido afeta o funcionamento correto do nosso cérebro.

Imagine voar na comodidade de uma cama

O fabricante europeu de aviões Airbus anunciou que estuda criar zonas de descanso com camas no andar inferior dos seus novos modelos.

Airbus trabalha com o fabricante de assentos Zodiac Aerospace no design de camas para serem instaladas nos porões dos aviões. A ideia é que o novo modelo Airbus A330, cujo lanzamento está previsto para 2020, incorpore camas para que os passageiros possam relaxar e dormir esticados durante os trajetos mais largos.

No momento trata-se unicamente de um projeto. Os fabricantes de aviões estudam constantemente como poder oferecer inovações que os diferenciem da competição. Tetos transparentes, zonas de jogos infantis, ginásio, bares… No entanto, a execução nem sempre é infalível.

Um dos pontos principais é a segurança. Durante certas fases dos voos, como levantar voo, aterragens ou momentos de turbulências os passageiros devem estar sentados com o assento reto, pelo que com o uso da cama se vê complicado. De igual forma, a zona dos assentos são sempre superiores no avião, pelo que a localização das camas no porão também levanta dúvidas sobre a segurança em relação à capacidade para evacuar os passageiros ante uma emergência.

As aerolínhas incorporaram alternativas multiplas para que esteja entretido durante os voos transoceanicos. Música, jogos, filmes… Não obstante, não há melhor maneira de estar oito horas num avião que passando pelas brasas.