Como é que o descanso afeta a organização de memórias

Nov 24, 2020 | INFORMAMOS-TE |

Uma das consequências derivadas da falta de sono, além da mais conhecida (fadiga, concentração, humor…), é a perda de memória. De acordo com vários estudos publicados nos últimos anos, dormir poucas horas também afeta a região do cérebro associada à memória. E fá-lo porque os neurotransmissores cerebrais que devem ser restabelecidos enquanto dormimos são incapazes de o fazer por causa do estado de vigília. Uma perda de conectividade entre os neurónios que afeta diretamente a organização de memórias. Explicamos tudo o que precisa de saber sobre a forte relação entre a nossa memória e o nosso descanso.

Introdução ao funcionamento da nossa memória

A imensidão e complexidade da função cerebral não tem fim. Séculos de estudos, ciências dedicadas por e para este órgão, teorias que se ligam entre a medicina e a psicologia. Inúmeras pessoas que colocaram o seu talento e inteligência para nos fazer entender o porquê e, no final, teve que ser um filme da Pixar que melhor explicou como funciona isto do cérebro.

‘Inside Out’ (2015), através das suas personagens, mostra de uma forma muito simples e metafórica quais são as principais funções de um cérebro em crescimento. Da definição de géneros à importância de dar espaço à tristeza, a história avança em aprendizagem paralela e aventuras. Mas sempre como pano de fundo e com importância vital, o papel que a memória tem na nossa personalidade.

Como explicado no filme (mas através de uma animação didática e emulador), qualquer tipo de informação que entre no nosso cérebro através dos nossos sentidos, torna-se uma espécie de estímulo elétrico químico. Ao contrário do que surgiu na imaginação coletiva, as memórias como tal não existem nos nossos cérebros. Ou seja, não são armazenadas do ponto de vista físico e biológico. Mais do que tudo porque não somos um computador. O que realmente acontece é que o nosso cérebro absorve alguns padrões funcionais ou, por outras palavras, grupos específicos de neurónios que são ativados com cada impacto externo que recebemos.

Isto é quando o sono e a sua importância entram em jogo. Além do descanso físico lógico, outro dos principais propósitos que o sono tem é inflamar a hormona responsável pela administração, qual de todas as experiências que experimentamos durante esse dia será absorvida e convertida nos estímulos elétricos químicos acima referidos. Simplificando, é durante o sono que as nossas memórias são organizadas. Alguns serão escolhidos para a glória. Outros irão direto para o caixote do lixo (ou, como no filme da Pixar: para um aterro gigante).

Então, como é que a falta de sono afeta a nossa memória?

Como já viram, é durante o sono que o nosso cérebro desempenha certas funções e tarefas relacionadas com a nossa aprendizagem e a nossa memória. O problema reside na falta de descanso. Todas aquelas insónias ou pessoas com dificuldade em adormecer encontram uma série de desvantagens que vão desde as mais físicas (contraturas, dores musculares…) até ao humor (stress, ansiedade…) E, claro, o neurológico.

Após muitas décadas de pesquisa do sono, foi finalmente determinado que uma das razões por trás do nobre e benéfico ato do sono é inflamar a hormona responsável pela seleção de experiências, conhecimento e, portanto, memórias. Esta limpeza e organização da nossa memória é interrompida ou danificada no caso de não conseguirmos dormir.

Um estudo recente da Universidade de Exeter descobriu que a memória declarativa (que armazena as nossas memórias que podem ser evocadas conscientemente) é claramente reforçada quando os humanos dormem. O estudo, liderado pelo professor de psicologia Nicolas Durmay, mostrou que, depois de uma noite de sono, somos muito mais capazes de recordar os conceitos que não conseguimos evocar quando estávamos acordados no dia anterior ou mesmo no momento logo após a aprendizagem.

No que diz respeito aos conceitos, dados e experiências que esquecemos, o desconhecido permanece sobre o porquê do nosso cérebro ter entendido a baixa importância que esta aprendizagem tem tido para nós. Como nota o The Journal of Neuroscience, é precisamente a importância que atribuímos às coisas enquanto estamos conscientes de que, mais tarde e durante o sono, ordena ao cérebro que o possa deitar fora. Maravilhas e mistérios da mente humana.