Como é que o outono afeta o nosso descanso?

Nov 26, 2020 | INFORMAMOS-TE |

As folhas das árvores mudam de cor e começam a cair. O verão de 35 graus começa a sua aterragem lenta, aproximando-se do frio dia a dia até que nos obriga a vestir casacos. Mesmo que não o associemos a dietas, é a melhor altura para perder peso. Pelo contrário, é também a época em que o nosso cabelo pode cair mais. A hibernação de certas espécies de animais começa. Chegam os dias chuvosos com gotas frias. Mudamos a hora e com isto, perdemos horas de luz. Tudo isto acontece na mesma fase do ano. A estação onde, de repente, podemos cair em insónias. Porque é que o outono afeta tanto o nosso descanso?

O principal motivo pelo qual podemos dormir pior durante o outono

Já foi possível observar o número de situações e elementos que são alterados em resultado da mudança de estação. A simples despedida do verão e a sua substituição pelo outono não estão apenas associadas ao regresso às aulas, ao fim das férias, à diminuição das temperaturas e ao início de milhares de projetos ou sonhos de trabalho. Não. Por muito que nos pareça que o verão ou o inverno com as suas próprias características têm muito mais impacto no nosso corpo e humor, o outono também chega com as suas próprias regras.

Se por um lado pode vir acompanhado por uma conotação melancólica, triste e depressiva (três adjetivos com os quais historicamente associamos a estação simbolizada pela queda das folhas das árvores), por outro, surgem situações de projeto mais físicos e ambientais. Entre a diminuição das temperaturas e a referida mudança horária, cria-se um estado muito propício a certos desencontros biológicos. Sem ir mais longe, o nosso relógio interno é alterado e, adicionado ao regresso ao casaco, à despedida do fato de banho e das rotinas de trabalho, podemos ser confrontados com um risco acrescido de stress, ansiedade ou depressão.

Este estado de inapetência que pode levar a um risco superior de cair num estado de ansiedade e stress é chamado de astenia outonal. Estamos a falar de um estado transitório que só pode ocorrer durante o outono e que engloba, para além de um sentimento de apatia ou energia, um agravamento da nossa saúde sob a forma de uma descida das defesas e menos proteção por parte do nosso sistema imunitário.

Claro que, com todo este terreno de reprodução (astenia outonal, mudança horária, regresso à rotina, aumento do nível de stress, climatologia irregular, diminuição das horas de luz…), o mais normal é que o nosso descanso possa ser afetado. E muito.

Conhecida como insónia outonal (outro problema a que a estação dá o seu nome), é a insónia produzida nesta época do ano e motivada por todas as causas acima referidas e que podemos sintetizar em três fatores principais:

– Redução de horas de luz naturais.

– Temperaturas mais baixas.

– Fim de verão (e feriados) e regresso à rotina, trabalho, projetos e pressão laboral.

Com estes elementos a passar sobre as nossas mentes e corpos, pode ser muito mais difícil para nós, lidar com as nossas tarefas, deixando-nos levar por distúrbios de humor e certos tipos de desordens que afetarão os ritmos circadianos. E se todo este fator precisava de alguma coisa, então é quando chega a cereja no topo do bolo: a mudança de horário que fizemos em outubro.

Neste momento, existem poucas vozes discordantes de especialistas que se preparam para uma estabilização dos horários. Para pôr fim a esta perturbação do humor e das perturbações que sofremos para adaptar os nossos ritmos circadianos, a União Europeia já está a ponderar eliminar a mudança de horário em outubro.

Mas, enquanto os nossos líderes estudam esta proposta, nós próprios podemos superar a insónia outonal seguindo hábitos de higiene do sono, como levantar-nos e deitar-nos ao mesmo tempo, manter uma dieta saudável e equilibrada, exercitar-nos duas ou três vezes por semana, ajudando-nos a partir de plantas medicinais como pasiflora ou valeriana, realizando técnicas de relaxamento e exercícios ou dormindo num quarto que tem o equipamento de descanso certo e adequado, baixo nível de ruído, baixa luz artificial e ausência total de dispositivos eletrónicos.